15 de julho de 2017
Palestra de Roberto Requião durante a Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe

A ação contra um estado social se suporta em um tripé:

1. A precarização do estado, que é substituído pelo Banco Central Independente. Os detentores do grande capital passam a comandar o Estado;
2. Precarização do parlamento, através do financiamento privado de campanha. Os parlamentares passam a obedecer os financiadores das suas campanhas. Os compromissos com os palanques eleitores não são mais levados em conta;
3. Precarização do trabalho, a supremacia do negociado sobre o legislado, o fim das garantias trabalhistas determinadas em lei. Isso já está acontecendo na Europa – como na Espanha, Itália e Grécia.

O que esse grupo que tomou conta do governo e derrubou a presidenta Dilma Roussef pretende para o país?

A proposta deles é o liberalismo absoluto, é a volta da barbárie. Nossa produção agrícola já é extraordinária, mas esse governo propõe a venda dessas terras para o capital estrangeiro. Isso significa que aumentará a produção com o aumento de investimento, mas esse processo de venda indiscriminada provocará um desemprego brutal. O que causará a revolta da população – conhecemos as relações de trabalho que evoluíra de Getúlio Vargas para cá. Mas essa revolta está sendo contida com a precarização do trabalho. Isso é a globalização do capital. A eleição de Trump é a mostra disso: preconceito e barbárie se somaram ao desemprego. Todos esses fenômenos nos levam a conclusão que a proposta de Temer de ser ponte para o futuro é o fracasso em outros países. A proposta é a prevalência do capital financeiro e precarização do trabalho.

Do ponto de vista do estado social, temos o pior Congresso Nacional da história. 50 senadores votaram o fim da CLT no Brasil e foram eleitos com voto popular – pelo menos, na prática. Estamos esperando mobilização popular, mas ela está sendo muito fraca, por que ninguém acredita mais em nada. Eu acredito que o caminho para a superação é a informação sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Propaganda é a exposição de muitas ideias para poucas pessoas. Depois disso é a agitação nesse quadro político politizado. Temos que facilitar para o povo que o levante é a melhor solução. O caminho é a eleição direta. Temos que escolher o destino do Brasil.

Fernando Henrique já dizia que tínhamos que entregar o país ao capital estrangeiro para sair da crise. Mas depois dessa conversa será que temos solução? Se olharmos historicamente teremos que na década de 30 o mundo quebrou. A Alemanha estava endividada e depois apareceu um alemão, que era um economista liberal, e foi alçado a chefia da condução econômica, e esqueceu do liberalismo. Acabou com a remuneração em cima dos mais pobres. Ele criou uma moeda e fez um acordo com as empresas alemãs para reconstrução delas. Remunerava o capital privado garantindo lucratividade. Em seis meses a Alemanha se reergueu (após esse período, o país entrou no racismo com a história que já conhecemos contra os judeus) – o Brasil está fazendo exatamente o contrário.

Nós estamos no caminho completamente errado. Por que o povo não foi às ruas como foi em 2013? Porque estão desacreditados. No Brasil faltou uma proposta que consolide e traga esperança e organização às forças populares. Em função disso, montamos no senado uma Frente Nacionalista, com a participação de partidos, sindicatos e movimentos populares para propor ações para sair da crise. Vamos organizar reuniões no país inteiro, criar grupos de opinião para reestabelecer a esperança da população. O Congresso votou no fim do CLT, pois quem estava ali era empresários, que não se identifica com o trabalhador. Trabalhador é instrumento. Operário no senado hoje é só o Paulo Paim. Estamos em um vazio. Mas para finalizar quero deixar uma certeza: o modelo é inviável, já fracassou em outros países. A saída é uma aliança do capital produtivo (capital investido em uma fábrica, que viabiliza o emprego) com o trabalho contra o capital financeiro. A passividade da população permite que esse governo consolide essas mudanças liberais. Se continuar dessa forma não terá eleições diretas em 2018, a não ser que a população se mobilize. Mobilização é sempre o caminho.

Notícias Relacionadas


Fatal error: Call to undefined function wp_related_posts() in /home/sindiban/public_html/wp-content/themes/sindicato2013/single.php on line 37